Deuteronômio 31:6 — O que Moisés ensina sobre força antes de morrer?

“Sede fortes e corajosos; não temais, nem vos assusteis diante deles, porque o Senhor, teu Deus, é o que vai contigo; ele não te deixará, nem te desamparará.” — Deuteronômio 31:6

Moisés está às portas da morte. Tem 120 anos. Sabe que não cruzará o Jordão. E é nesse momento — de limite, de fim, de entrega — que ele fala ao povo sobre força. Existe algo de profundamente humano e profundamente divino nisso: as últimas palavras de um ancião ao seu povo são palavras de coragem.

O Deuteronômio é, na sua estrutura literária, um grande testamento. E este versículo é parte central desse testamento. A força que Moisés pede a Israel não é a força dos músculos ou das armas — eles estão prestes a entrar em Canaã, onde os enfrentarão. É a força que nasce de uma certeza: “ele não te deixará, nem te desamparará.”

A dupla negação — “não te deixará, nem te desamparará” — não é redundância literária. É ênfase teológica. As duas palavras hebraicas usadas têm nuances distintas: a primeira (raphah) remete ao relaxar, ao soltar a mão; a segunda (azab) remete ao abandono definitivo. Deus não solta a mão. Deus não abandona. Em nenhuma circunstância.

A Carta aos Hebreus (13:5) citará exatamente este versículo — prova de que, para a tradição cristã primitiva, a promessa feita a Israel é herdada pelo Povo Novo de Deus, a Igreja. A força de que precisa o cristão contemporâneo é a mesma de que precisava Israel: a força de quem sabe que não caminha sozinho.

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