A “corrida” de Hebreus 12:1 — O que a Bíblia quer dizer com perseverança como motivação?

“Também nós, pois, visto que temos em derredor de nós tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a corrida que nos está proposta.” — Hebreus 12:1

A metáfora do estádio, aqui, não é ornamental. O autor da Carta aos Hebreus — cuja identidade a Tradição debateu longamente sem consenso definitivo — conhecia os jogos olímpicos e sabia o que aquela imagem evocava nos seus leitores helenizados. Um atleta. Uma pista. Uma multidão assistindo das arquibancadas.

Mas a “nuvem de testemunhas” que assiste não é uma plateia qualquer. O capítulo 11 — o grande capítulo da fé — acabou de desfilar Abel, Noé, Abraão, Moisés, Raab, Gideão, Sansão, Davi. Todos os que correram antes. Todos os que não desistiram. Eles assistem. Não como espectadores passivos, mas como martyres — testemunhas, no sentido mais pleno da palavra.

A motivação que este versículo oferece é de outra ordem: não é a motivação do prêmio imediato, nem a da aprovação dos contemporâneos. É a motivação da comunhão com os que vieram antes. A Church Triumphant olha para a Church Militant. Os que chegaram encorajam os que ainda correm.

“Deixemos todo o embaraço” — ogkon, em grego: peso, excesso, aquilo que desacelera. O texto não pede heroísmo extraordinário. Pede, primeiro, que se solte o que prende. A motivação começa pela leveza: soltar o rancor, soltar a culpa paralisante, soltar a comparação estéril com outras corridas que não são a sua.

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