“E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens.” — Colossenses 3:23
Este versículo de motivação tem o poder de transformar qualquer segunda-feira. Paulo escreve aos colossenses — uma comunidade pequena, numa cidade de importância secundária no Império Romano — e dirige esta instrução, curiosamente, a escravos. A pessoas sem liberdade jurídica, cujo trabalho não lhes pertencia, cujo esforço não era reconhecido, cujo nome dificilmente apareceria em qualquer registro histórico.
E é a eles que o apóstolo diz: “fazei de todo o coração, como ao Senhor.”
A teologia do trabalho que emerge deste versículo é revolucionária. Ela não santifica apenas os trabalhos nobres — o sacerdócio, a missionação, o estudo teológico. Ela santifica o trabalho ordinário: a cozinha, o campo, a oficina, o escritório. A condição não é o tipo de trabalho. É a intenção com que é realizado.
A expressão “como ao Senhor” transforma o destinatário invisível de cada tarefa. O chefe exigente deixa de ser o juiz definitivo do esforço. O cliente difícil perde o poder de determinar se o trabalho tem valor. Há um outro olhar — o único que verdadeiramente importa — diante do qual todo trabalho honesto, feito com inteireza, tem dignidade infinita.
Santo João Paulo II, em Laborem Exercens, desenvolveu longamente esta teologia: o trabalho humano participa da obra criadora de Deus. Quem trabalha com inteireza não apenas produz — colabora. Este versículo motivacional não promete reconhecimento humano. Promete algo infinitamente maior.
