“Sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é remunerador dos que o buscam.”
Hebreus 11:6
— Explicação do Versículo —
Esse versículo está encaixado no coração do capítulo que a tradição cristã sempre chamou de “o capítulo da fé” — Hebreus 11. Mas ele não é apenas uma afirmação de que a fé é importante. Ele revela a estrutura mínima do que é crer: é preciso, primeiro, que se acredite que Deus existe; e segundo, que Ele não é indiferente — que responde a quem o busca de verdade.
São Tomás de Aquino, na Suma Teológica, ao tratar do objeto da fé, parte exatamente dessa estrutura. Para ele, a fé não é apenas um assentimento intelectual à existência de Deus — é a adesão da inteligência e da vontade a Deus como fim último. O ato de fé, escreve Tomás, é o mais pessoal de todos os atos humanos, porque nenhuma evidência externa pode fazê-lo por nós.
A palavra grega ekzētéō, traduzida como “buscam”, indica uma busca ativa, diligente, que não se satisfaz com uma resposta superficial. A fé que esse versículo descreve não é a de quem aceita Deus como hipótese intelectual — é a de quem o busca como realidade viva e como destino.
— Reflexão —
Há uma exigência incômoda nesse versículo que raramente se menciona: ele não diz que é difícil agradar a Deus sem fé. Diz que é impossível. Isso coloca a fé não como um dos caminhos possíveis, mas como a condição de base de qualquer relação real com Deus.
Santo Agostinho disse que o nosso coração é inquieto enquanto não repousa em Deus. Mas o que nos move em direção a esse repouso? A fé — que é, antes de qualquer experiência mística, o simples ato de voltar o olhar na direção certa e continuar caminhando, mesmo sem ver o fim.
Buscar a Deus não é tarefa para quem já tem todas as respostas. É tarefa exatamente para quem ainda tem perguntas — e decide, mesmo assim, que a busca vale mais do que a paralisia da dúvida.
