“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” — Romanos 12:2
Paulo usa dois verbos gregos que merecem atenção particular: syschēmatizesthe — “conformai-vos”, do qual vem “esquema” — e metamorphousthe — “transformai-vos”, do qual vem “metamorfose”. A distinção é cirúrgica: o esquema é externo, é postura, é aparência. A metamorfose é interna, é estrutural, é o que acontece dentro da crisálida antes de virar borboleta.
O século — aiōn em grego, a era presente, o espírito do tempo — pressiona constantemente por conformidade. Não de forma violenta, na maioria das vezes. De forma suave, persistente, quase imperceptível: pelas narrativas que consome, pelos valores que absorve, pelas métricas de sucesso que aceita sem questionar. O cristão que não percebe essa pressão já cedeu a ela.
A motivação que Paulo propõe aqui é radicalmente cognitiva antes de ser comportamental. Não se trata primeiro de agir diferente — trata-se de pensar diferente. De deixar que a Palavra, os sacramentos, a contemplação, a liturgia reformem as categorias mentais com as quais se interpreta a realidade.
“Para que experimenteis” — dokimazein, palavra do vocabulário metalúrgico, usada para o teste do ouro no fogo — significa que a vontade de Deus não é algo apenas acreditado teoricamente, mas verificado experimentalmente. O cristão que renova a mente não apenas crê que a vontade de Deus é boa. Ele a prova. Ele a vive e constata. Esta experiência se torna, ela mesma, a motivação mais duradoura que existe.
