“Em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.” — Romanos 8:37
O capítulo 8 de Romanos é, para muitos teólogos, o cume da teologia paulina. E este versículo é o seu clímax. O que vem antes é uma lista de calamidades: tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada. Paulo não está falando de aborrecimentos cotidianos. Está falando de martírio.
E é diante disso que ele escreve: “somos mais que vencedores.” Em grego, hypernikōmen — um verbo com prefixo de superação. Não simplesmente vencedores: supervencedores. O que Paulo quer dizer? Que o cristão sofre menos que os outros? De forma alguma. O contexto imediato cita o Salmo 44: “Por amor de ti somos mortos todo o dia.”
“Mais que vencedores” significa que a vitória cristã não é medida pela ausência do sofrimento, mas pela impossibilidade de ser separado do amor de Deus. Quem pode perder tudo menos o essencial — e o essencial é o amor de Cristo — já venceu o jogo antes de ele acabar. A perseguição pode tirar a liberdade; não pode tirar o amor. A doença pode tirar a saúde; não pode tirar a comunhão com Deus.
Este é um versículo de força para quem está na tribulação sem perspectiva de saída. Não promete a saída. Promete que, dentro da tribulação, há uma Presença que nenhuma força exterior consegue romper.
