O Salmo 46:1 ainda é relevante hoje? O que ele diz sobre força em tempos de crise?

“Deus é o nosso refúgio e força, socorro bem presente na angústia.” — Salmo 46:1

Calvino o chamou de “o salmo da Reforma”. Lutero dele extraiu a melodia de Ein feste Burg. Mas antes de ser apropriado por qualquer teologia, o Salmo 46 era canto de Israel em momentos de colapso histórico. Gerações de exegetas associam este salmo à invasão assíria de 701 a.C., quando Senaqueribe cercou Jerusalém e a cidade foi, inexplicavelmente, poupada.

A força de que este salmo fala não é a força do guerreiro nem a do estóico. É a força do refúgio — mahseh em hebraico, a rocha na qual se abriga quem não tem para onde correr. Deus como refúgio e força são aqui duas imagens complementares: o refúgio é passivo (encontro abrigo), a força é ativa (recebo vigor para continuar).

O versículo seguinte — que muitas vezes não é citado junto — é decisivo: “Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude.” A lógica é clara: a estabilidade do crente não depende da estabilidade das circunstâncias. Ela depende de Quem está além das circunstâncias.

A Igreja Católica incorporou este salmo à sua Liturgia das Horas. Ele é rezado na Hora Nona como forma de reconhecer que, no meio do dia — com seus cansaços, suas urgências, suas crises —, o cristão reafirma que a sua rocha não é o seu próprio esforço.

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